{"id":165,"date":"2021-06-16T17:37:36","date_gmt":"2021-06-16T17:37:36","guid":{"rendered":"https:\/\/infoamendoim.com.br\/website\/?p=165"},"modified":"2021-06-16T17:37:37","modified_gmt":"2021-06-16T17:37:37","slug":"melhoramento-genetico-do-amendoim-visando-resistencia-a-doencas-foliares","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/infoamendoim.com.br\/website\/2021\/06\/16\/melhoramento-genetico-do-amendoim-visando-resistencia-a-doencas-foliares\/","title":{"rendered":"Melhoramento gen\u00e9tico do amendoim visando resist\u00eancia a doen\u00e7as foliares"},"content":{"rendered":"\n<p>AS DOEN\u00c7AS FOLIARES<\/p>\n\n\n\n<p>As doen\u00e7as f\u00fangicas da parte a\u00e9rea s\u00e3o as de maior import\u00e2ncia econ\u00f4mica para o amendoim, e a aplica\u00e7\u00e3o de fungicidas durante o ciclo da cultura, ainda \u00e9 o meio de controle mais utilizado. As cercosporioses (mancha castanha \u2013 Cercospora arachidicola e mancha preta \u2013 Cercosporidium personatum) e a ferrugem (Puccinia arachidis) constituem-se nas doen\u00e7as de maior express\u00e3o e potencial de danos para o amendoim, tanto no Brasil como em outros pa\u00edses. A verrugose (Sphaceloma arachidis) e a mancha barrenta (Phoma arachidicola) podem eventualmente causar danos econ\u00f4micos, principalmente em gen\u00f3tipos do grupo ereto precoce (Moraes &amp; Godoy, 1997).<\/p>\n\n\n\n<p>As cercosporioses, amplamente disseminadas nas regi\u00f5es produtoras, tanto no Brasil como em outros pa\u00edses, s\u00e3o respons\u00e1veis por quebras de produ\u00e7\u00e3o de at\u00e9 70%, dependendo do cultivar e da severidade da doen\u00e7a. A mancha preta, tamb\u00e9m conhecida como mancha \u201ctardia\u201d \u00e9 a mais prevalente e a que causa danos de maior express\u00e3o. Seu ciclo epimediol\u00f3gico inicia entre 45 e 50 dias de idade das plantas e tende a progredir at\u00e9 o final do ciclo da cultura. A mancha castanha (ou mancha precoce) tamb\u00e9m aparece ao redor de 6 semanas do ciclo da cultura; entretanto, a doen\u00e7a n\u00e3o progride at\u00e9 o final do ciclo, como a mancha preta. Isto n\u00e3o significa necessariamente que os danos por ela causados s\u00e3o menores, pois um dos seus efeitos nas plantas \u00e9 a desfolha precoce. A ferrugem ocorre com menor frequ\u00eancia, mas o seu poder destrutivo \u00e9 alto, pois os esporos se reproduzem rapidamente, obrigando o produtor a reduzir os intervalos entre as aplica\u00e7\u00f5es de fungicida, o que aumenta o n\u00famero de pulveriza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>A verrugose geralmente aparece com mais intensidade em variedades do grupo ereto\/precoce (vulgarmente conhecidos como Val\u00eancia ou Spanish), e no per\u00edodo entre 50 e 80 dias. Sua severidade pode ser considerada moderada. Os danos causados est\u00e3o na forma\u00e7\u00e3o de p\u00fastulas do fungo (\u201cscabs\u201d ou \u201cverrugas\u201d) que prejudicam o desenvolvimento das plantas. A mancha barrenta tamb\u00e9m \u00e9 de freq\u00fc\u00eancia relativamente baixa, aparece da metade para o final do ciclo da cultura. Assim como a verrugose, a maior incid\u00eancia da mancha barrenta \u00e9 observada em variedades de amendoim do grupo ereto\/precoce.<\/p>\n\n\n\n<p>RESIST\u00caNCIA: GERMOPLASMA E HERAN\u00c7A<\/p>\n\n\n\n<p>O g\u00eanero Arachis \u00e9 nativo da Am\u00e9rica da Sul e ocorre em cinco pa\u00edses do continente, principalmente no territ\u00f3rio brasileiro, onde foram encontradas 64 das 80 esp\u00e9cies conhecidas (Krapovickas &amp; Gregory, 1994; Valls &amp; Simpson, 2005). O acervo gen\u00e9tico encontra-se hoje preservado em cole\u00e7\u00f5es de germoplasma, em diversos pa\u00edses. No Brasil, o Banco Ativo de Germoplasma de Esp\u00e9cies Silvestres de Arachis localiza-se na Embrapa Recursos Gen\u00e9ticos e Biotecnologia, em Bras\u00edlia, e conta com 1250 acessos. O IAC mant\u00e9m uma cole\u00e7\u00e3o com 2.000 variedades e ra\u00e7as nativas de Arachis hypogaea.<\/p>\n\n\n\n<p>O germoplasma do amendoim cultivado, A. hypogaea, possui variabilidade para moderada resist\u00eancia a esses pat\u00f3genos. N\u00e3o h\u00e1 registro da exist\u00eancia de variedades imunes \u00e0s doen\u00e7as, mas a resist\u00eancia \u00e9 encontrada em v\u00e1rios n\u00edveis, entre os diversos acessos. Em alguns casos, a variedade exibe resist\u00eancia a uma das doen\u00e7as, mas muitos acessos possuem resist\u00eancia a mais de uma doen\u00e7a. O IAC mant\u00e9m um Banco de Dados sobre as rea\u00e7\u00f5es de resist\u00eancia do germoplasma de A. hypogaea \u00e0s cinco doen\u00e7as mencionadas anteriormente (Moraes et al., 1995; Moraes &amp; Godoy, 1997). Os dados classificam os acessos em 7 classes quanto ao n\u00edvel de resist\u00eancia, a saber: S (Suscet\u00edvel), S-MS (Suscet\u00edvel a Moderadamente Suscet\u00edvel), MS (Moderadamente Suscet\u00edvel), MR-MS (Moderadamente Suscet\u00edvel a Moderadamente Resistente), MR (Moderadamente Resistente), MR-R (Moderadamente Resistente a Resistente) e R (Resistente).<\/p>\n\n\n\n<p>A resist\u00eancia \u00e0s cercosporioses tem sido atribu\u00edda a causas diversas, de natureza bioqu\u00edmica, anat\u00f4mica ou fisiol\u00f3gica. As fitoalexinas s\u00e3o consideradas como inibidoras da penetra\u00e7\u00e3o e\/ou reprodu\u00e7\u00e3o dos pat\u00f3genos nos tecidos foliares. Subst\u00e2ncias p\u00e9cticas e espessamento das paredes celulares, como barreiras \u00e0 penetra\u00e7\u00e3o dos tubos germinativos, tamb\u00e9m s\u00e3o citadas como mecanismos de resist\u00eancia (Abdou et al., 1974). Em germoplasma resistente, a ferrugem pode expressar-se por atraso no processo epidemiol\u00f3gico (resist\u00eancia fisiol\u00f3gica \u00e0 infec\u00e7\u00e3o), per\u00edodo mais longo de incuba\u00e7\u00e3o, menor freq\u00fc\u00eancia de infec\u00e7\u00e3o, menor tamanho de p\u00fastulas e menor produ\u00e7\u00e3o de esporos, como revisado em (Moraes &amp; Godoy 1997).<\/p>\n\n\n\n<p>A literatura sobre resist\u00eancia a doen\u00e7as em amendoim sugere que, na maioria dos casos, a heran\u00e7a \u00e9 quantitativa, embora com poucos genes envolvidos. Para a mancha preta, an\u00e1lises de prog\u00eanies de cruzamentos dial\u00e9licos entre variedades de A. hypogaea, avaliadas para os caracteres n\u00famero de les\u00f5es\/folha e porcentagem de desfolhamento, mostraram valores altamente significativos para capacidade geral de combina\u00e7\u00e3o (CGC) sugerindo que a resist\u00eancia tem um importante componente aditivo (Kornegay et al., 1980). O mesmo foi observado por Anderson et al. (1986), estudando a resist\u00eancia \u00e0s manchas preta e castanha. Nevill (1982) achou um modelo gen\u00e9tico com cinco loci e a\u00e7\u00e3o g\u00eanica predominante recessiva para di\u00e2metro de les\u00e3o, desta doen\u00e7a, obtendo valores significativos de vari\u00e2ncias, tanto para o componente aditivo como o de domin\u00e2ncia. Em cruzamentos do germoplasma 909 (tipo peruviano altamente resistente ao fungo) com cultivar suscet\u00edvel, Godoy &amp; Moraes (1987) observaram distribui\u00e7\u00f5es cont\u00ednuas do \u00edndice de infec\u00e7\u00e3o com maior propor\u00e7\u00e3o de indiv\u00edduos suscet\u00edveis, sugerindo heran\u00e7a quantitativa e a\u00e7\u00e3o g\u00eanica predominantemente recessiva para resist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>MELHORAMENTO VISANDO RESIST\u00caNCIA<\/p>\n\n\n\n<p>A caracter\u00edstica polig\u00eanica da resist\u00eancia, bem como a ocorr\u00eancia de v\u00e1rias doen\u00e7as potencialmente importantes nas lavouras de amendoim s\u00e3o fatores complicadores para o melhoramento. Por\u00e9m, o fato de existirem acessos em que aparentemente os mesmos genes conferem resist\u00eancia a mais de uma doen\u00e7a (Wynne et al., 1991), cria, como alternativa, a possibilidade de utiliza\u00e7\u00e3o desses poligenes para a obten\u00e7\u00e3o de cultivares com resist\u00eancia m\u00faltipla.<\/p>\n\n\n\n<p>As estrat\u00e9gias e metodologia para a utiliza\u00e7\u00e3o de fontes de resist\u00eancia a doen\u00e7as foliares no amendoim podem ser definidas de acordo com o n\u00edvel de resist\u00eancia que se espera obter ao longo do programa de melhoramento, bem como em fun\u00e7\u00e3o do prazo para a sua obten\u00e7\u00e3o. Essas op\u00e7\u00f5es est\u00e3o relacionadas \u00e0 dist\u00e2ncia entre o germoplasma portador e os cultivares que receber\u00e3o esses genes. Essa dist\u00e2ncia se traduz pelo grau de adequa\u00e7\u00e3o do germoplasma quanto aos outros caracteres de import\u00e2ncia agron\u00f4mica, tais como arquitetura de planta, dura\u00e7\u00e3o do ciclo, prolificidade e morfologia de vagens e sementes, entre outros.<\/p>\n\n\n\n<p>Em curto prazo, pode-se lan\u00e7ar m\u00e3o de fontes mais pr\u00f3ximas, e obter um n\u00edvel moderado de resist\u00eancia. Neste caso, pode-se citar o exemplo do cultivar IAC Caiap\u00f3, lan\u00e7ado no Brasil em 1996, e resultante de cruzamento entre um antigo cultivar brasileiro e um acesso de germoplasma previamente melhorado e com razo\u00e1vel qualidade agron\u00f4mica. IAC Caiap\u00f3 tem como principal caracter\u00edstica em rela\u00e7\u00e3o a outros cultivares existentes no mercado, a moderada resist\u00eancia a doen\u00e7as foliares, principalmente \u00e0 mancha preta e ferrugem (Godoy et al., 2001). A Figura 1 ilustra o impacto da resist\u00eancia deste cultivar sobre a sua estabilidade. Comparando-se este cultivar ao Runner IAC 886, suscet\u00edvel, em 26 ambientes que inclu\u00edram tratamentos \u201ccom\u201d e \u201csem\u201d controle de doen\u00e7as, observa-se que IAC Caiap\u00f3 conseguiu manter produtividade ao redor de 2.000 Kg\/hectare nos ambientes menos favor\u00e1veis. Runner IAC 886 s\u00f3 \u00e9 superior em ambientes que favorecem produtividades mais altas.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"552\" height=\"412\" src=\"https:\/\/infoamendoim.com.br\/website\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/desempenho-de-cultivares-comerciais-de-amendoim.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-166\" srcset=\"https:\/\/infoamendoim.com.br\/website\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/desempenho-de-cultivares-comerciais-de-amendoim.png 552w, https:\/\/infoamendoim.com.br\/website\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/desempenho-de-cultivares-comerciais-de-amendoim-300x224.png 300w, https:\/\/infoamendoim.com.br\/website\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/desempenho-de-cultivares-comerciais-de-amendoim-1x1.png 1w\" sizes=\"(max-width: 552px) 100vw, 552px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Figura 1 \u2013 Estabilidade produtiva das cultivares IAC Caiap\u00f3 e IAC Runner 886 em diferentes localidades submetidas ou n\u00e3o ao controle de doen\u00e7as f\u00fangicas.<\/p>\n\n\n\n<p>A m\u00e9dio prazo, novos avan\u00e7os podem ser obtidos, recorrendo-se ao germoplasma do amendoim cultivado (A. hypogaea). Diversos acessos da cole\u00e7\u00e3o de germoplasma do IAC mostram n\u00edveis de resist\u00eancia superiores aos do cv. IAC Caiap\u00f3. A Tabela 1 mostra os dados obtidos recentemente com um grupo de 4 acessos da cole\u00e7\u00e3o, em contraste com os cultivares Runner IAC 886 e IAC Caiap\u00f3, em experimento sob alta incid\u00eancia de mancha preta. A doen\u00e7a foi avaliada em duas \u00e9pocas durante o ciclo por uma escala de notas de 1 a 9. Com os dados das duas \u00e9pocas de avalia\u00e7\u00e3o, estimaram-se os valores em ASCPD (\u00c1rea sob a Curva de Progresso da Doen\u00e7a). As estimativas de ASCPD t\u00eam se mostrado um m\u00e9todo eficiente para quantifica\u00e7\u00e3o das doen\u00e7as em condi\u00e7\u00f5es de campo, porque levam em considera\u00e7\u00e3o o processo epidemiol\u00f3gico do pat\u00f3geno ao longo do ciclo da cultura, e reduzindo as distor\u00e7\u00f5es de avalia\u00e7\u00e3o devidas a diferen\u00e7as de fenologia entre os gen\u00f3tipos.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"322\" src=\"https:\/\/infoamendoim.com.br\/website\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/tabela1-resisitencia-de-cultivares-e-acessoas-a-hypogaea-mancha-preta-cercosporidium-personatum.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-167\" srcset=\"https:\/\/infoamendoim.com.br\/website\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/tabela1-resisitencia-de-cultivares-e-acessoas-a-hypogaea-mancha-preta-cercosporidium-personatum.png 600w, https:\/\/infoamendoim.com.br\/website\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/tabela1-resisitencia-de-cultivares-e-acessoas-a-hypogaea-mancha-preta-cercosporidium-personatum-300x161.png 300w, https:\/\/infoamendoim.com.br\/website\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/tabela1-resisitencia-de-cultivares-e-acessoas-a-hypogaea-mancha-preta-cercosporidium-personatum-1x1.png 1w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Tomando-se por base o cultivar IAC Caiap\u00f3 moderadamente resistente, pode-se, assim, prever ganhos gen\u00e9ticos adicionais, nas pr\u00f3ximas etapas do melhoramento, utilizando-se como fontes de resist\u00eancia alguns acessos de germoplasma do amendoim cultivado, como o 69007, que mostrou a menor nota e o menor valor de ASCPD, no conjunto acima.<\/p>\n\n\n\n<p>O acesso 69007 foi utilizado em diversos cruzamentos com linhagens do programa IAC e as popula\u00e7\u00f5es segregantes foram submetidas a sele\u00e7\u00e3o em campo sem controle de doen\u00e7as, durante 4 ciclos sucessivos. A Tabela 2 mostra as ASCPD para tr\u00eas doen\u00e7as, nas 10 linhagens que mais se destacaram para resist\u00eancia \u00e0 mancha preta.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/infoamendoim.com.br\/website\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/tabela-2-resistencia-de-linhagem-de-amendoim-a-mancha-preto-mancha-castanha-ferrugem-avaliadas-sem-controle-de-pragas.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-168\" width=\"600\" height=\"431\" srcset=\"https:\/\/infoamendoim.com.br\/website\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/tabela-2-resistencia-de-linhagem-de-amendoim-a-mancha-preto-mancha-castanha-ferrugem-avaliadas-sem-controle-de-pragas.png 600w, https:\/\/infoamendoim.com.br\/website\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/tabela-2-resistencia-de-linhagem-de-amendoim-a-mancha-preto-mancha-castanha-ferrugem-avaliadas-sem-controle-de-pragas-300x216.png 300w, https:\/\/infoamendoim.com.br\/website\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/tabela-2-resistencia-de-linhagem-de-amendoim-a-mancha-preto-mancha-castanha-ferrugem-avaliadas-sem-controle-de-pragas-1x1.png 1w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 mancha preta, confirmando as expectativas, as sele\u00e7\u00f5es efetuadas produziram prog\u00eanies com alto n\u00edvel de resist\u00eancia. Neste experimento, a severidade desta doen\u00e7a foi maior do que o relatado na Tabela 1, mas, mesmo assim, a \u201cdist\u00e2ncia\u201d (em ASCPD) entre as linhagens selecionadas e o cultivar IAC Caiap\u00f3, moderadamente resistente foi pr\u00f3xima da observada entre o acesso 69007 e o cultivar. O grau de severidade da mancha castanha e ferrugem n\u00e3o foi alto, e as varia\u00e7\u00f5es no experimento n\u00e3o permitiram detectar n\u00edveis de signific\u00e2ncia, principalmente nos dados da ferrugem. Entretanto, observa-se uma tend\u00eancia para algum n\u00edvel de resist\u00eancia, sugerindo que as linhagens possuem resist\u00eancia m\u00faltipla.<\/p>\n\n\n\n<p>A outra estrat\u00e9gia a considerar no melhoramento para resist\u00eancia \u00e9 a utiliza\u00e7\u00e3o de germoplasma silvestre de Arachis, criando expectativa para ganhos gen\u00e9ticos ainda maiores. Embora ainda n\u00e3o se conhe\u00e7am cultivares resistentes a essas doen\u00e7as, gerados a partir de cruzamentos com parentes silvestres, as avalia\u00e7\u00f5es do germoplasma mostram que diversas esp\u00e9cies exibem alta resist\u00eancia. A Tabela 3 mostra os resultados da avalia\u00e7\u00e3o de diversos acessos de Arachis, em experimento de campo, sob ocorr\u00eancia natural dos pat\u00f3genos, realizado em Pindorama, SP, em 2006\/2007, utilizando como controles tr\u00eas representantes de A. hypogaea, de rea\u00e7\u00f5es j\u00e1 conhecidas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s doen\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"460\" src=\"https:\/\/infoamendoim.com.br\/website\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/tabela-3-resistencia-expressa-ascpd-especies-silvestres-e-cultivares.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-169\" srcset=\"https:\/\/infoamendoim.com.br\/website\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/tabela-3-resistencia-expressa-ascpd-especies-silvestres-e-cultivares.png 600w, https:\/\/infoamendoim.com.br\/website\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/tabela-3-resistencia-expressa-ascpd-especies-silvestres-e-cultivares-300x230.png 300w, https:\/\/infoamendoim.com.br\/website\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/tabela-3-resistencia-expressa-ascpd-especies-silvestres-e-cultivares-1x1.png 1w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Confirmando trabalhos anteriores, os dados acima mostram que a resist\u00eancia a doen\u00e7as foliares em esp\u00e9cies silvestres tamb\u00e9m \u00e9 parcial. Entretanto, em diversos acessos, os n\u00edveis das doen\u00e7as s\u00e3o significativamente menores do que os encontrados em A. hypogaea. Isto indica a possibilidade de serem obtidos ganhos ainda maiores, pela introgress\u00e3o desses genes de resist\u00eancia na esp\u00e9cie cultivada.<\/p>\n\n\n\n<p>INCOMPATIBILIDADE INTERESPEC\u00cdFICA E SUA SUPERA\u00c7\u00c3O<\/p>\n\n\n\n<p>O aproveitamento de genes silvestres ainda \u00e9 limitado no melhoramento do amendoim em fun\u00e7\u00e3o das barreiras de incompatibilidade interespec\u00edfica. Como exemplo de sucesso, pode-se citar a cultivar Coan, obtida pela Texas A&amp;M University a partir de cruzamentos entre esp\u00e9cies silvestres e que apresenta resist\u00eancia ao nemat\u00f3ide de galhas (Simpson &amp; Starr, 2001).<\/p>\n\n\n\n<p>O amendoim A. hypogaea \u00e9 uma esp\u00e9cie alotetrapl\u00f3ide de genoma AABB. As esp\u00e9cies silvestres, na sua grande maioria, s\u00e3o diploides, associados ao grupo gen\u00f4mico A ou B do amendoim. A dist\u00e2ncia entre as esp\u00e9cies silvestres e o amendoim cultivado vai desde a ploidia \u00e0 inadequa\u00e7\u00e3o agron\u00f4mica das plantas silvestres, como tamanho muito reduzido dos frutos e sementes, ramos excessivamente prostrados e baixa produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das principais limita\u00e7\u00f5es para o uso de parentes silvestres como fontes de resist\u00eancia \u00e9 a incompatibilidade de muitas delas em cruzamentos com o amendoim cultivado. Assim, o aproveitamento deste germoplasma \u00e9 um trabalho de longo prazo. S\u00e3o necess\u00e1rios, de in\u00edcio, estudos de compatibilidade entre as esp\u00e9cies e a avalia\u00e7\u00e3o da sua cruzabilidade (F\u00e1vero et al., 2006). As dificuldades no sucesso desses cruzamentos se devem a fatores como a falta de fertiliza\u00e7\u00e3o ou o atraso da mesma, aus\u00eancia de crescimento ou crescimento lento dos proembri\u00f5es (Tallury et al., 1995), barreiras causadas pela diferen\u00e7a em ploidia, dist\u00e2ncia gen\u00e9tica entre esp\u00e9cies, meiose irregular em h\u00edbridos poliploidizados, surgimento de aneupl\u00f3ides ou pentapl\u00f3ides (Stalker &amp; Moss, 1987).<\/p>\n\n\n\n<p>Diversas formas de introgress\u00e3o de genes de esp\u00e9cies silvestres em A. hypogaea s\u00e3o relatadas (Simpson, 1991 e Simpson, 2001). A estrat\u00e9gia que vem sendo utilizada recentemente \u00e9 o cruzamento entre uma esp\u00e9cie de genoma A com uma de genoma B do amendoim, gerando um h\u00edbrido est\u00e9ril de genoma AB, que posteriormente \u00e9 tetraploidizado pelo uso de colchicina, tornando-se um anfidipl\u00f3ide sint\u00e9tico f\u00e9rtil (AABB). No caso do melhoramento visando resist\u00eancia a doen\u00e7as, os anfidiploides portadores da resist\u00eancia de seus genitores dipl\u00f3ides s\u00e3o cruzados com A. hypogaea , obtendo-se indiv\u00edduos f\u00e9rteis. A etapa seguinte \u00e9 a realiza\u00e7\u00e3o de sucessivos retrocruzamentos com cultivares de A. hypogaea de interesse, visando recuperar suas caracter\u00edsticas agron\u00f4micas.<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, o Cenargen\/Embrapa vem fazendo este trabalho de introgress\u00e3o por anfidiploides. Entretanto, este material pode ainda apresentar comportamentos diversos quanto \u00e0 capacidade de cruzamento com A. hypogaea, tais como: 1) hibrida\u00e7\u00f5es que geram descendentes f\u00e9rteis, que s\u00e3o capazes de produzir prog\u00eanies F2, F3 etc, como A. hypogaea x (A. ip\u00e4ensis x A. duranensis)4x ; 2) hibrida\u00e7\u00f5es que geram prog\u00eanies F1 est\u00e9reis, sendo que \u00e0s vezes produzem flor e n\u00e3o produzem sementes, outras vezes, nem flores ocorrem, como no caso de A. hypogaea IAC-Tatu-ST x (A. hoehnei x A. helodes)4x<\/p>\n\n\n\n<p>Para tentar associar a alta cruzabilidade observada em alguns anfidipl\u00f3ides com a alta resist\u00eancia de outros, uma op\u00e7\u00e3o \u00e9 obter h\u00edbridos complexos, que s\u00e3o aqueles obtidos a partir de quatro esp\u00e9cies, duas de genoma A e duas de genoma B.<\/p>\n\n\n\n<p>CONSIDERA\u00c7\u00d5ES FINAIS<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 ampla variabilidade no germoplasma de amendoim para resist\u00eancia a doen\u00e7as foliares; a resist\u00eancia \u00e9 parcial e quantitativa, podendo-se prever sucessivos ganhos de sele\u00e7\u00e3o pela utiliza\u00e7\u00e3o das fontes de resist\u00eancia dispon\u00edveis.<br>No Brasil, n\u00edveis moderados de resist\u00eancia j\u00e1 t\u00eam sido alcan\u00e7ados, e novos ganhos est\u00e3o sendo obtidos em cruzamentos com germoplasma resistente de hypogaea.<br>N\u00edveis maiores de resist\u00eancia podem ser esperados com a incorpora\u00e7\u00e3o de genes presentes no germoplasma silvestre; entretanto, este objetivo \u00e9 de longo prazo, pois h\u00e1 necessidade de que sejam superadas as barreiras de incompatibilidade interespec\u00edfica.<\/p>\n\n\n\n<p>REFER\u00caNCIAS BIBLIOGR\u00c1FICAS<\/p>\n\n\n\n<p>ABDOU, Y.A.M.; GREGORY, W.C.; COOPER, W.E. Sources and nature of resistance to Cercospora arachidicola (Hori) and Cercosporidium personatum (Berk. &amp; Curt.) Deighton in Arachis species. Peanut Science, Raleigh, v.1, p.6-11, 1974.<\/p>\n\n\n\n<p>ANDERSON, W.F.; WYNNE, J.C.; GREEN, C.C.; BEUTE, M.K. Combining ability and heritability of resistance to early and late leafspot of peanut. Peanut Science, Raleigh, v.13, p.10-14, 1986.<\/p>\n\n\n\n<p>CONAB \u2013 COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO, <a href=\"http:\/\/www.conab.gov.br\/download\/safra\/safra2008\/2009Lev05.pdf\">http:\/\/www.conab.gov.br\/download\/safra\/safra2008\/2009Lev05.pdf<\/a>. Acesso em 20 de julho de 2009.<\/p>\n\n\n\n<p>F\u00c1VERO, A. P.; SIMPSON, C.E.; VALLS, J.F.M.; VELLO, N.A. Study of the evolution of cultivated peanut through crossability studies among Arachis ipa\u00ebnsis, A. duranensis, and A. hypogaea. Crop Science, Madison, v. 46, p. 1546-1552, 2006.<\/p>\n\n\n\n<p>GODOY, I.J. ; MORAES, S.A. Heran\u00e7a da resist\u00eancia a Cercosporidium personatum e correla\u00e7\u00e3o com caracteres agron\u00f4micos em cruzamentos intraespec\u00edficos de amendoim. Fitopatologia Brasileira, Bras\u00edlia, v.12, n.3, p.69-74, 1987.<\/p>\n\n\n\n<p>GODOY, I.J.; MORAES, S.A.; MORAES, A.R.A.; KASAI, F.S.; MARTINS, A.L.M.; PEREIRA, J.C.V.N.A. Potencial produtivo de linhagens de amendoim (Arachis hypogaea L.) do grupo ereto precoce com e sem controle de doen\u00e7as foliares. Bragantia, Campinas, v.60, n.2, p.101-110, 2001.<\/p>\n\n\n\n<p>KORNEGAY, J.L.; BEUTE, M.K.; WYNNE, J.C. Inheritance of resistance to Cercospora arachidicola and Cercosporidium personatum in six virginia type peanut lines. Peanut Science, Raleigh, v.7, p.4-9, 1980.<\/p>\n\n\n\n<p>KRAPOVICKAS, A. &amp; GREGORY, W. C. Taxonomia del g\u00e9nero Arachis (Leguminosae). Bonplandia, Corrientes, v.8, n.1-4, p.1-186, 1994.<\/p>\n\n\n\n<p>MAPA \u2013 Minist\u00e9rio da Agricultura e Abastecimento. 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Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/www.ers.usda.gov\/Publications\/FDS\">http:\/\/www.ers.usda.gov\/Publications\/FDS<\/a>. Acesso em 10 de julho 2009.<\/p>\n\n\n\n<p>VALLS, J. F. M.; SIMPSON, C. E. . New species of Arachis L. (Leguminosae) from Brazil, Paraguay and Bolivia. Bonplandia, Corrientes, v.14, n.1-4, p.35-63, 2005.<\/p>\n\n\n\n<p>WYNNE, J.C.; BEUTE, M.K.; NIGAM, S.N. Breeding for disease resistance in peanut (Arachis hypogaea L.). Annual Review of Phytopathology, v.29, p.270-303, 1991.<\/p>\n\n\n\n<p>COMO CITAR ESTE ARTIGO:<br>Godoy, I. J.; F\u00e1vero, A. P.; Santos, J.F.; Michelotto, M. D. Melhoramento gen\u00e9tico do amendoim visando resist\u00eancia a doen\u00e7as foliares. In: IX Simp\u00f3sio de Manejo de Doen\u00e7as de Plantas \u2013 Manejo Fitossanit\u00e1rio de Cultivos Agroenerg\u00e9ticos: Cana-de-a\u00e7\u00facar, oleaginosas e eucalipto. UFLA, 15 a 17 de Setembro de 2009. Dispon\u00edvel em: www.infoamendoim.com.br\/artigost\u00e9cnicos<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>AS DOEN\u00c7AS FOLIARES As doen\u00e7as f\u00fangicas da parte a\u00e9rea s\u00e3o as de maior import\u00e2ncia econ\u00f4mica para o amendoim, e a aplica\u00e7\u00e3o de fungicidas durante o ciclo da cultura, ainda \u00e9 o meio de controle mais utilizado. 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